carta #1

6:25 PM

H.,

Acho que foi ontem que você acabou comentando comigo que não se lembrava de como a gente tinha chegado onde chegamos. Devo dizer que sua memória é péssima. Antes eu acreditava que sua lembranças vagas eram apenas um sintoma frequente de amnésia alcoólica, mas cada vez mais sinto que é apenas um defeito seu devido ao fumo de substâncias ilegais.

Até hoje eu lembro daquele fatídico dia que resolvi te oferecer o resto do meu espetinho de frango. Quem diria que depois de algumas horas você estaria me contando do seu intercâmbio na Europa e que provavelmente não nos veríamos por um ano. Não que isso fosse um grande problema, eu nem te conhecia.

Numa brilhantíssima ideia que deu muito errado, começamos a nos esbarrar na faculdade por acaso, e dentro de algumas semanas até compartilhamos um ônibus para um lugar longe e muito doido, com uma galera igualmente louca, mas até que foi divertido.

E dentro de alguns dias, semanas, não me recordo bem, estávamos já muito longe um do outro. Tinha sido uma despedida muito triste, pelo menos para mim.

Ao decorrer do ano, conseguimos voltar a nos falar, ainda que rara e brevemente. E inversamente proporcional à frequência de nossas conversas, minha saudade era transmitida por uma câmera de computador e uma voz metálica que saía pelos seus fones de ouvido.

E enfim, há algumas semanas você voltou e quem mais estaria tão feliz com a sua volta quanto eu.
Acho que nunca tinha me dado conta do quanto gosto de você. E talvez minha paixonite terminal me faça acreditar que o sentimento é mútuo, embora eu tenha quase certeza que também é verdadeiro.

Sempre muito sua,
B.

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1 comentários.

  1. Só acho que você deveria falar pra ele. Se é recíproco, melhor não perder tempo! ;D

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